
Produzindo
Mantendo
Plantar é o começo. O que faz a agrofloresta andar é o manejo: podar, escolher o que capinar e nunca deixar o chão descoberto.
Poda
A poda é o motor da agrofloresta.
Cada poda renova o sistema: entra luz, a árvore rebrota, o galho cortado vira adubo e tudo em volta cresce junto.
Poda drástica
ou de rejuvenescimento
Corta a árvore a no máximo 1 metro do chão. Ela rebrota com força e a área fica clara para as lavouras de sol, como milho, feijão, fava e macaxeira.
Poda de condução
ou de formação
Tira alguns galhos, sobretudo os mais velhos, para a árvore crescer organizada e deixar entrar luz e vento na parte de dentro e de baixo.
Poda de limpeza
depois da safra
Tira os galhos secos e velhos das frutíferas depois da colheita. A árvore segue forte e a safra seguinte promete.
Para que podar
- Abrir luz e manter as árvores sempre brotando: o sinal de crescer forte passa para todo o sistema, lavouras e frutíferas incluídas.
- Produzir mais matéria orgânica, com árvores que rebrotam bem.
- Suspender a saia: tirar os galhos baixos que ocupam o lugar das lavouras.
- Limitar a altura com a poda da cabeça (apical): mais segurança para quem poda e para a árvore, que engrossa o tronco.
- Manter cada planta no seu andar.
Como podar
Comece de cima para baixo: os galhos de baixo amortecem a queda dos grandes. Tire primeiro os galhos doentes, tortos, mal formados e os que se cruzam.
Árvores que aguentam podem ser podadas “no osso”, só com o tronco. Outras pedem que se mantenha a forma da copa. Depende de quem está em volta e do que se quer da poda.
Todo o material fica na área, picado sobre o solo. Na caatinga, a
Jurema-pretaMimosa tenuifloraPioneira · NativaForragem, Restauração de solo, Medicinal, MadeiraVer a ficha e o MarmeleiroCroton jacobinensisPioneira · Pequeno · NativaForragem, Ornamental, Medicinal, MadeiraVer a ficha rebrotam com força depois do corte e são boas fontes desse material.
Muitas famílias do Sertão podam seguindo a lua. O agricultor Adão Oliveira, de Ouricuri (PE), prefere a passagem da lua nova para a crescente.
Faça a primeira poda
Fontes: Rebello (2018); Cooperafloresta (Projeto Agroflorestar); Centro Sabiá (2010)
Capina seletiva
Tire só o que já cumpriu o seu papel.
Nada de limpar tudo. A capina seletiva tira as ervas que estão florando ou que pertencem a uma fase anterior do sistema, e deixa o resto trabalhando.
A erva que está florando logo vai morrer e virar adubo. Tirando só ela, a natureza resolve o resto: com o solo mais adubado, nascem outras ervas que deixam a terra mais forte para o roçado.
Götsch, que criou o termo, explica por quê: cada erva de ciclo curto que flora manda ao sistema um sinal de envelhecimento e freia o crescimento de quem está em volta. Essas ervas tiveram um papel importante, cobrir o chão e juntar nutrientes, mas, quando o solo melhora, chegam plantas que produzem mais. O trabalho é abrir espaço para elas.
Arranque com raiz
O que é de uma fase anterior: se só for cortado, rebrota e flora antes de todos.
Roce antes de sementar
O capim da entrelinha é cortado várias vezes, com ferramenta bem afiada, antes de florir: rebrota com mais força e vira adubo.
Use o que tirou
O mato arrancado vira cobertura ao pé de uma planta que você quer ver crescer.
As lavouras de ciclo curto às vezes ainda pedem a enxada: precisam de mais cuidado do que as árvores nativas e as frutíferas.
Capine só o que floresce
Fontes: Centro Sabiá (2010); Rebello (2018)
Cobertura do solo
Onde o chão aparece, falta adubo e sobra perda de água.
A manutenção da cobertura é diária: a cada visita, leve o material de poda e de roçada para onde o solo está mais exposto ou as plantas mais fracas.
No semiárido, folhas e galhos viram adubo depressa nas chuvas, quando há água e vida no solo para desmanchá-los. Na seca, desmancham devagar e o solo fica com pouco adubo. Por isso entram as adubadeiras, como feijão-de-porco, mucuna, guandu, gliricídia e leucena: suas folhas, flores e frutos cobrem o chão e alimentam a terra o ano todo.
Troncos grossos deitados nas entrelinhas também servem: com o tempo, a terra embaixo deles fica mais escura do que a coberta só com capim.

Como saber se está indo bem
Alguns dos critérios de Götsch para avaliar uma agrofloresta.
- Quanto do chão está coberto de matéria orgânica, e com que espessura.
- Quanto dessa cobertura é de galho e folha dura, que dura mais.
- Se há vida no solo: fungos, minhocas, insetos trabalhando.
- Se as plantas estão vigorosas e cada andar está ocupado.
- Se as plantas que vão dominar depois estão crescendo bem embaixo das de agora.
Cubra o chão mais exposto
Fontes: Rebello (2018); Centro Sabiá (2010)
Calendário do semiárido
Cada trabalho no seu tempo.
Saber quando começam e terminam as chuvas diz quando fazer mudas, plantar, podar e colher. O calendário ajuda a não trabalhar em vão.
Tempo 1
Chegam as chuvas
- Observar o começo das chuvas.
- Plantar milho, feijão, fava, guandu, sorgo, batata-doce, macaxeira.
- Plantar mudas e estacas: gliricídia, mandioca, pornunça, leucena, nim, fruteiras.
- Podar para rebrotar e fazer a capina seletiva.
Tempo 2
Fim das chuvas
- Colher o feijão.
- Dobrar o pé de milho, para a palha proteger a espiga.
Tempo 3
Colheita e reserva
- Colher fava, guandu, milho e sorgo.
- Guardar forragem em silo e feno para a seca.
Tempo 4
Seca
- Podas de condução e de limpeza.
- Picar as galhadas e os restos das lavouras sobre o solo.
- Preparar a área para os plantios do ano seguinte.
Tempo 5
Fim da seca
- Poda drástica das plantas da caatinga que mais se espalham, como marmeleiro e jurema.
- Tirar lenha, estaca e madeira; a estaca, quando a planta está rebrotando.
- Plantar palma e estacas das resistentes à seca: umbuzeiro, umburana, aroeira, seriguela, cajá, cajarana.
- Fazer as mudas no viveiro, se houver água, para levar ao campo com as primeiras chuvas.
Este calendário foi feito com agricultores e agricultoras do Sertão de Pernambuco. As datas mudam de uma região do semiárido para outra, por isso o ano aqui é contado a partir das chuvas: o que manda é o começo delas no seu lugar.
Marque o mês da chuva
Fontes: Centro Sabiá (2010)